terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Resenha: A Música do Silêncio - de Patrick Rothfuss


A Música do Silêncio
A Crônica do Matador do Rei - Livro 2.5
Patrick Rothfuss
Editora Arqueiro


Sinopse: Considerada a meca do conhecimento, a Universidade atrai as mentes mais brilhantes que buscam desmistificar os mistérios das ciências iluminadas, como feitiçaria e alquimia. Porém, bem abaixo de seus lotados corredores existe um complexo de quartos abandonados e passagens antigas. No coração desse labirinto cavernoso encontra-se uma jovem mulher chamara Auri, que chama este local de lar.
Ex-estudante da Universidade, Auri agora gasta seu tempo cuidando do mundo ao seu redor. Ela sabe que alguns mistérios devem permanecer selados. Agora que não se deixa enganar pela racionalidade cega que àqueles que vivem acima dela confiam, Auri vê além da superficialidade das coisas e enxerga os perigos sutis e os nomes escondidos das coisas.

Resenha

A Música do Silêncio é um conto sobre a Auri, um dos personagens mais enigmáticos de A Crônica do Matador do Rei. Então como uma fã declarada da trilogia, eu fiquei mais do que feliz ao receber o meu exemplar da nossa parceira Arqueiro.
Esse conto nos relata o dia-a-dia da Auri nos subterrâneos, algo que até agora nós só podíamos especular. A estória segue a Auri por alguns dias, enquanto ela se prepara para a visita do Kvothe. Como a narração é feita pela própria Auri, é possível finalmente enxergar o mundo através dos seus olhos e compreender um pouco de suas enigmáticas frases. Descobrir as respostas para as perguntas que até mesmo Kvothe se fazia. Como a Auri consegue sobreviver nos subterrâneos? Como é a sua vida solitária naquele mundo escuro?

Valia a pena fazer as coisas direito.

Através desse livro é possível descobrir como o subterrâneo é maior do que se pode imaginar, mesmo já tendo tido um vislumbre dele nos livros anteriores. E com a narração da Auri, esse novo mundo se transforma em algo simplesmente mágico. Com uma obsessão digna de uma pessoa com TOC, Auri passa os seus dias tentando encontrar o lugar correto para tudo no mundo. Em outras palavras, ela toma como missão deixar o mundo o mais organizado e perfeito possível. Ela sabe que nunca conseguirá realizar essa tarefa completamente, até porque ela mesma é não é perfeita, mas ela se dedica ao máximo possível. Então ao observar mais atentamente, o que aparenta ser loucura é na verdade uma sabedoria impressionante.

Sabia exatamente onde estava. Tudo estava exatamente onde devia.

E no meio dessa missão auto-imposta, ela também se dedica a encontrar um presente para o Kvothe, que em breve irá visitá-la. Esses presentes sempre foram um mistério por si só, e essa dedicação em encontrar tais presentes, nos permite perceber o quanto Kvothe se tornou importante para ela. Como ele se tornou a luz em seu mundo escuro. E não é só esse carinho pelo Kvothe que fica destacado nesse conto, mas também a ausência do egoísmo em suas ações, em sua vida. Mesmo havendo algo que deseja, Auri nunca toma para si o que considera estar no seu devido lugar, mesmo que isso signifique que ela ficará com frio ou fome.

Querendo algo para sim. Distorcendo a forma apropriada do mundo inteiro. Querendo mandar em tudo com o peso do seu desejo.

Auri revela ao longo do conto, uma profundidade e sabedoria sobre o mundo digna de um verdadeiro nomeador. Suas frases tão enigmáticas passam a ter outros significados e valores, e começam a nos fazer a pensar e enxergar o mundo de outra forma. Começamos a perceber como Auri é uma pessoa observadora, como ela realmente conhece as coisas e as pessoas.
Para ler esse conto não é necessário ler O Temor do Sábio, mas a leitura de O Nome do Vento é obrigatória, caso contrário será simplesmente impossível entender qualquer coisa que seja. Mesmo que o conto aparentemente não tenha qualquer interferência em relação à trilogia, eu acho importante lê-lo. Acho que ele nos aprofunda mais um pouco nesse mundo mágico e atiça ainda mais a nossa curiosidade sobre a Universidade.
É interessante também ler a narração com um ponto de vista diferente do Kvothe, pois nos permite descobrir como ele é visto pela Auri e como sua presença na vida dela a afetou e a mudou.

As respostas eram sempre importantes, mas quase nunca fáceis.

Ao contrário da trilogia, esse conto é bem pequeno, mas possui a mesma qualidade dos livros anteriores, tanto na escrita quanto na edição. A capa do livro é incrivelmente bela, acho que ela retrata perfeitamente a Auri, a forma pela qual ela observa o mundo e quase nunca  é observada. Outra coisa interessante sobre o livro são as ilustrações que existem ao longo da estória. Essas ilustrações complementam as descrições dada pela narrativa desse mundo sob a Universidade.
Como o próprio autor diz, pode ser que você considere esse um livro cansativo e sem ação o suficiente. Esse livro não foi escrito para dar pistas sobre o terceiro livro ou para nos esclarecer sobre a vida de Auri na época em que ainda era estudante da Universidade. Porém eu creio que esse conto é bem especial e, assim como a Auri, ele tem muito mais a nos oferecer do que aparenta a primeira vista. Para isso, basta senti-lo.

Mas não seria terrível? Não seria um horror viver cercada pelo puro e agudo vazio das coisas apenas suficientes?

Sobre o autor

Patrick Rothfuss reside atualmente na região central do Wisconsin, onde leciona na universidade local. Em suas horas de folga, escreve uma coluna satírica, pratica a desobediência civil e se dedica por diletantismo à alquimia. Adora as palavras, ri com frequência e se recusa a dançar. O nome do vento, ganhador do Quill Award (importante prêmio literário americano, cujos vencedores são escolhidos pelos leitores), é o primeiro romance do autor.










7 comentários:

  1. gostei muito da resenha " A musica do silêncio", queria muito conhecer toda a história de Auri,.

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  2. Olá,
    Esse livro já me encantou desde a capa, a Auri é mesmo uma personagem bem instigante, Curioso.
    Parabéns pela resenha! :)

    Abraços,
    Te espero no meu blog: http://livrosmitologiaeromance.blogspot.com.br/

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    1. Sem dúvidas, mais uma capa linda. Perfeita para essa estória, que também é linda.

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  3. querida patrícia, é bom demais quando temos mais de uma saga que somos fãs. dá aquele friozinho na barriga, ótimo, todos os leitores viciados como nós passa por isso. fico boquiaberto quando o autor destaca determinado personagem dando vida própria a ele, mesmo que seja um livro menor, é como ter um olhar lateral sobre o objeto que sempre olhamos de frente. então bora reservar mais um livro. ótima resenha!

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  4. Que capa magnífica! E o banner que fizeram também está lindo!
    Bela história, ótima resenha, aqui tem tudo que um leitor precisa. Marketing!
    Parabéns
    Lucas

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Equipe Cia do Leitor