quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Resenha: Battle Royale - de Koushun Takami

Battle Royale
Koushun Takami
Editora Globo Livros

Sinopse: Battle Royale é um thriller de alta octanagem sobre violência juvenil em um mundo distópico, além de ser um dos best-sellers japoneses e mais polêmico entre os romances. Como parte de um programa implacável pelo governo totalitário, os alunos do nono ano são levados para uma pequena ilha isolada e recebem um mapa, comida e várias armas. Forçados a usarem coleiras especiais, que explodem quando eles quebram uma regra, eles devem lutar entre si por três dias até que apenas um "vencedor" sobreviva. O jogo de eliminação se torna a principal atração televisiva de reality shows. Esse clássico japonês é uma alegoria potente do que significa ser jovem e sobreviver no mundo de hoje. O primeiro romance do jornalista Koushun Takami, tornou-se um filme ainda mais notório pelo diretor de 70 anos de idade, Kinji Fukusaku.


 Resenha

Em 2007, em um Japão extremamente parecido com uma Coreia do Norte, existe um projeto especial. Na verdade o nome do país não é mais Japão e sim República da Grande Ásia Oriental. Esse projeto especial consiste em enviar estudantes do 9º ano para uma localidade e obrigá-los matar uns aos outros até restar somente um. O Governo diz que esse projeto é vital para garantir o fortalecimento do país. E ele não é segredo, todos sabem sobre ele, e todos lamentam por esses jovens que morrem. Porém ninguém faz nada para que ele acabe.

Via de regra, os pais abaixavam a cabeça em silêncio, decerto se lembrando do rosto dos filhos que nunca mais voltariam, mas alguns deles se revoltavam. Estes, ou eram abatidos inconscientes com cassetetes especiais ou, se não tivessem sorte, recebiam as balas de chumbo quentes disparadas de uma submetralhadora. Eles darias adeus a este mundo um pouco antes de seus adorados filhos.

Então no início desse livro nós temos uma turma comum de 9º ano em um ônibus, no meio de uma excursão escolar. Só que tal excursão não existe. Após o uso de um gás dentro do ônibus, os alunos acordam dentro de uma sala de aula, em uma ilha desconhecida. Eles rapidamente são informados que foram escolhidos para o temido programa e que agora devem matar uns aos outros, de forma bem objetiva. Logicamente alguns entram em desespero, e ao que parece a maioria não consegue acreditar que seja verdade.

- Tudo bem, tudo bem. Por favor, fiquem quietos! - Sakamochi bateu palmas várias vezes para chamar a atenção de todos. Os protestos de repente cessaram. - Deixem-me explicar a situação. A razão pela qual vocês estão aqui hoje…
Depois de uma pausa, ele prosseguiu:
- … é para se matarem uns aos outros.


Mas não há dúvidas que seja verdade, e não é preciso muito para convencê-los. Eles começam então a perceber que todos os seus amigos de classe, muitos deles amigos de infância, se tornaram inimigos. Após as regras serem passadas, cada um dos alunos deve sair da escola, um a um, com um kit de sobrevivência, contendo comida, água, dentre outras coisas. O item principal desse kit é a arma. Cada aluno recebe apenas um tipo de arma, que pode variar bastante: revólver, faca, besta, etc.

E não se tratava simplesmente de serem mortos: os estudantes deviam se matar uns aos outros até que restasse uma única cadeira. Sim, esse era o pior jogo da dança das cadeiras de toda a história.

Embora o livro mostre o ponto de vista de todos os alunos, geralmente a narrativa se mantém com os personagens Shuya Nanahara e Noriko Nakagawa. A vantagem do fato do ponto de vista ser variado é a seguinte: você consegue entrar na mente de cada personagem, descobrir seus medos, esperanças, suas vidas e, principalmente, suas mortes. Sim, você verá a morte de cada um desses personagens, com detalhes de narrativa realmente impressionantes.
Então prepare-se para assistir muitas cenas sangrentas enquanto acompanha esses alunos fazendo qualquer coisa para poderem sobreviver. Veja como a confiança nos amigos é destruída e memórias de muitos anos são completamente esquecidas.

A sala permaneceu em silêncio. Todos aceitaram o fato. Aquilo era real, sem dúvida, não se tratava de uma brincadeira. Eles seriam forçados, a partir daquele momento, a se matar uns aos outros.

No jogo não há outra opção, ou você mata ou você será morto. Não é possível hesitar, pois por mais que tenham alunos que não estejam querendo participar do jogo, ninguém tem como saber qual está participando ativamente. Confiar em alguém pode significar um tiro pelas costas. É literalmente cada um por si.

Não sei nada sobre eles. Nenhum deles. Noriko tem razão. O que eu sei sobre colegas com quem estou junto somente durante o dia na escola?


Muito se fala que esse livro é parecido com Jogos Vorazes, mas eu acho que tirando o fato de termos jovens se matando em um jogo, os dois livros são bem diferentes. Jogos Vorazes é uma crítica contra a sociedade ocidental, e é essa sociedade que deve ser combatida no livro. Em Battle Royale, eu acho que o foco está nos personagens em si. Em cada um dos alunos. É um livro que mostra a jornada desses alunos, que embora tão novos, acabam sendo forçados a terem uma visão sobre suas vidas que não teriam sob outras circunstâncias.

Realmente, ele era incapaz de aceitar. Como tudo aquilo era possível? Como seria possível perder alguém… alguém tão próximo?


O livro é extremamente bom. No final do livro eu estava tendo ataques cardíacos, eu não queria saber o que iria acontecer ao mesmo tempo que eu precisava saber desesperadamente o que iria acontecer. Fiquei feliz por estar lendo em casa, pois não consegui impedir minhas reações verbais, aos gritos, em várias ocasiões. Sem dúvidas esse livro merece 5 estrelas e ser favoritado. Mal terminei o livro e já fui pesquisar sobre o filme e os mangás. Isso me lembra uma coisa, um aviso para quem pretende ler o livro, não leiam a sinopse do filme 2, a não ser que queiram saber o final do livro!
Sem dúvidas, um dos melhores livros que já li na minha vida.

Não… Era impossível afirmar com certeza. Podia haver muitos "inimigos" e era impossível saber quem seria um deles. Quem ainda era normal e quem já tinha enlouquecido? Porém, nesse jogo talvez eles mesmos, mais que todos, não fossem normais. Talvez estivessem loucos.
Ele sentiu que enlouqueceria.




 Classificação




Sobre o autor


Koushun Takami nasceu em 10 de janeiro de 1969, na cidade de Amagasaki, perto de Osaka. Formado em literatura pela Universidade de Osaka, trabalhou como repórter de política e economia. Deixou o jornalismo para se dedicar a literatura, mas não lançou nenhuma obra além de Battle Royale, que foi desclassificada na fase final do prêmio Japan Grand Prix Horror Novel pelo seu conteúdo polêmico.



12 comentários:

  1. BETTLE ROYALE, LIVRO ESTRANHO, CRIANÇAS MATANDO UMA AS OUTRAS NUNCA TINHA LIDO UMA RESENHA TIPO ESTA, GOSTARIA MUITO DE LER ESTE LIVRO, PARA SABER O QUE VAI NA MENTE DESTES MENINOS E SEUS PAIS , SABENDO Q ESTÃO SE MATANDO ATE SOBRAR UM.................CURIOSA

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    1. Te garanto que o livro é excelente, não vai te deixar com nenhuma dúvida sobre o que passa na cabeça dessas crianças.
      bjs.

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  2. Eu ganhei esse livrooooo!!! Vou aprender a matar pessoas! hahaha
    *brincadeiras a parte ^^
    Tinha muita vontade de ler essa obra, principalmente ´porque além de filme ele teve sua versão mangá. Adoooro!
    Adorei a resenha, adorei o presente, adorei tudo!

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    1. Você não tem desculpas. Eu vou cobrar a leitura!
      bjs.

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  3. Oi Nizete! Tudo bem?
    Quando li a sinopse achei que não gostaria muito, pensei que não fizesse meu estilo, mas quando li a sua resenha (que por sinal esta incrível) me impressionei. Agora estou precisando desse livro urgentemente.
    Parabéns!
    Beijos

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    1. Créditos para a incrível Patrícia Paiva, foi ela a resenhista desse livro.
      Parabéns Paiva!!!

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  4. Caramba! É muito meu gênero, violência e morte sem rodeios. Sem deixar de mencionar, polêmico. :D
    Resenha perfeita. Quero muito o livro. vlw
    Kelvin

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    1. Obrigada! Depois me conta o que achou do livro!
      bjs.

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  5. Preciso ler o meu urgente, só acho que vou amar.

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  6. Este é um daqueles clássicos imperdíveis, tem de tudo um pouco, distopia, violência à la pulp fiction, um pouco de romantismo e um trabalho psicológico excelente com cada uma das personagens. Influenciou os best-sellers "Divergente" e "Jogos vorazes", falar mais o quê?
    Parafraseando minha própria resenha: Um livro realmente “polêmico”, arrepiante, viciante. O que fazer quando se está numa ilha com seus amigos e colegas e que para sobreviver é preciso tirar a vida de todos eles? Matar à sangue frio, suicidar-se, enlouquecer? Que tipo de pacto há que ser fazer? Como escapar? É preciso ser frio, impiedoso? Ou bem preparado é aquele
    que consegue ser fazer ouvir?
    Resenha redondinha, parabéns!

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  7. Oi
    A primeira coisa que me conquistou foi a capa, achei o máximo :)
    Agora quero ler o livro... parece Jogos Vorazes
    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa

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Bjão
Equipe Cia do Leitor