terça-feira, 11 de abril de 2017

Resenha: Jardins da Lua - de Steven Erikson

Jardins da Lua

O Livro Malazano dos Caídos - I
Steven Erikson
Editora Arqueiro

Sinopse: Desde pequeno, Ganoes Paran decidiu trocar os privilégios da nobreza malazana por uma vida a serviço do exército imperial. O que o jovem capitão não sabia, porém, era que seu destino acabaria entrelaçado aos desígnios dos deuses, e que ele seria praticamente arremessado ao centro de um dos maiores conflitos que o Império Malazano já tinha visto.
Paran é enviado a Darujhistan, a última entre as Cidades Livres de ­Genabackis, onde deve assumir o comando dos Queimadores de Pontes, um lendário esquadrão de elite. O local ainda resiste à ocupação malazana e é a joia cobiçada pela imperatriz Laseen, que não está disposta a estancar o derramamento de sangue enquanto não conquistá-lo.
Porém, em pouco tempo fica claro que essa não será uma campanha militar comum: na Cidade do Fogo Azul não está em jogo apenas o futuro do Império Malazano, mas estão envolvidos também deuses ancestrais, criaturas das sombras e uma magia de poder inimaginável.
Em Jardins da lua, Steven Erikson nos apresenta um universo com­plexo de cenários estonteantes e ações vertiginosas que mostram por que esta é considerada uma das maiores sagas épicas.

Resenha
Livro cedido de cortesia pela Editora Arqueiro para resenha.
Antes mesmo de falar sobre a estória dos personagens desse livro, devo introduzir vocês no universos totalmente original em que ele habita.

O universo desse livro possui diversos tipos de seres. São diferentes criaturas, povos, culturas, entidades, etc. Nesse universo deuses caminham pela terra e se envolvem nas guerras. E eles não são os únicos seres super poderosos e tão pouco são seres que não podem serem mortos. Sim, deuses morrem, e sim, existem seres poderosos o suficiente para baterem de frente com eles. Os humanos também podem ser poderosos, ao menos alguns, pois existe toda uma hierarquia de magos. Inclusive os exércitos e cidades contam com o seus quadros de magos para lutar.
Todo deus cai pelas mãos de um mortal. Esse é o único fim para a imortalidade. 
E todos esses seres poderosos: humanos, deuses e outros que vocês irão conhecer ao logo da estória, todos eles tem uma fonte de poder, por assim dizer. Essa fonte é chamada de Labirinto. E esse Labirinto na verdade não é somente um, são vários Labirintos. Existem Labirintos específicos para certas coisas, como por exemplo o Labirinto da cura. Além disso, um Labirinto pode pertencer à uma raça específica. Labirintos mais antigos são acessados por exemplo por raças tão antigas quanto. Para quem já leu a série da Roda do Tempo, eu achei esse conceito dos Labirintos similar ao da Fonte Verdadeira, sendo que nesse livro essa fonte é muito mais específica e ricamente complexa. Enfim, acessando o Labirinto, humanos e outras seres conseguem usar magia, tanto para defesa quanto para ataque.
Os Labirintos de Magia habitavam o além. Encontre o portal e abra uma fenda. O que vazar é seu para modelar.
O uso da magia é super comum e difundido, tanto que os exércitos contam com magos em suas fileiras. Mas nem por isso todos são magos. E mesmo aqueles que o são, não necessariamente são super fortes que podem lutar de igual para igual com os deuses, por exemplo. Então, eu vou falar agora um pouco sobre como se inicia o livro.

Jardins da Lua já começa no meio de uma estória, de várias na verdade. O Império Malazano parece ser uma força imbatível em sua expansão através da ocupação de cidades livres. Mas é claro que mesmo sendo tão poderoso, o Império possui vários inimigos, tão poderosos quanto. E nós somos jogados de cabeça no meio dessa guerra desde o início do livro. Logo no prólogo já vemos um golpe sendo moldado e conhecemos Paran, um dos personagens principais desse livro (e alguns outros personagens também). Paran ainda é criança nesse prólogo, e contrariando o que todos esperam de um nobre, ele deseja entrar para o exército de Malaz. Os nobres nessa estória estão mais para mercadores do que guerreiros e não costumam entrar para o exército. E apesar do aviso de que não deveria fazer isso, ele mesmo assim entra para o exército.
Toda decisão que você toma pode mudar o mundo. A melhor vida é aquela que os deuses não notam. Se quiser viver livre, garoto, viva sem fazer muito barulho.
No primeiro capítulo a narrativa já deu um salto no tempo. Paran já é um homem e o golpe que estava sendo moldado já foi dado há muito tempo, sendo assim, o Império agora tem uma Imperatriz e não mais um Imperador. Os detalhes de como ela chegou ao poder, sobre a estória da personagem e seus atos são explicados de forma gradual ao longo do livro. Você já fica sabendo de várias coisas logo no início, mas certas nuances desse universo são entregues aos poucos.
Se você um dia deixar para trás a culpa de seu passado, feiticeira, terá deixado para trás sua alma. Quando ela a encontrar, vai matar você.
Então, com Paran já adulto, ele acaba se entrando para o serviço da Conselheira da Imperatriz, uma mulher nem um pouco popular entre os soldados. E o acaso que o pôs no caminho dessa mulher foi um massacre ocorrido em uma pequena cidade do Império. Massacre esse que ao que tudo indica foi cometido por um deus, o Trono Sombrio, por sinal, sua casa tem o seu próprio Labirinto Como disse lá em cima, os deuses podem acabar se envolvendo nas guerras. E esse envolvimento pode ser de forma direita, que é mais difícil, ou de forma indireta, quando eles utilizam um mortal como instrumento deles.
Alta Casa da Sombra e uma faca no escuro. Um novo jogo começou, ou o antigo acabou de mudar.
E com a possibilidade de um deus estar se envolvendo nos planos de expansão do Império Malazano, a Imperatriz, através de sua Conselheira, irá investigar o caso e determinar e acabar com a ameaça. E é justamente para essa missão que Paran acaba sendo arrastado. E seguindo os rastros de uma possível ferramenta da Corda (deus patrono dos assassinos e que faz parte da casa do Trono Sombrio), Paran alguns anos depois se encontra na divisão dos Queimadores de Pontes, como seu novo capitão.
(…) toda artimanha nasce na mente e ali é alimentada, enquanto as virtudes morrem de fome.
Mas nesse ponto da estória, Paran não é mais o único personagem importante. Já estaremos conhecendo muitos outros personagens, tanto do lado do exército Malazano e em breve, também do lado inimigo. Como já citei, a estória se inicia com o jogo em andamento faz algum tempo e muitos dos inimigos do Império são seres antigos, que por uma razão ou outra, não está gostando da expansão do Império. E todas essas “personalidades” históricas são introduzidas na estória a partir do momento que a narrativa começa a seguir de perto o exército.
Da imensa extensão do aglomerado de tendas e abrigos dos seguidores do acampamento veio um pranto lamentoso, um coro de milhares de vozes. O som era um lembrete aterrorizante de que a guerra sempre causava amargura.
Nessa introdução aos novos personagens, a estória se encontra em um ponto onde o exército Malazano está na iminente invasão de uma cidade, que passou os últimos anos citada. Sempre houve um impasse que impediu tal invasão, além de ser uma cidade bem fortificada, a cidade de Pale também conta com a proteção da Cria da Lua, que é uma espécie de cidade flutuante onde um povo muito antigo e poderoso habita, os Tiste Andii, incluindo o líder deles, Anomander Rake, uma das personalidade que citei.
Essas lágrimas ja haviam sido derramadas antes, e seriam novamente, por outros como ela e, ainda assim, diferentes dela. E os ventos secariam todas.
Mas Paran chega a Pale depois da tomada da cidade. Sua missão é outra afinal, ele deve seguir a pista da ferramenta da Corda que está infiltrada dentro do Queimadores de Ponte. Ou seja, ele deve seguir com os seus novos comandados para a última cidade livre, Darujhistan. Mal sabe o inocente que ele está se enfiando dentro de uma grande conspiração, ou melhor dizendo conspirações. Ele vai começar a perceber que deveria ter seguido o conselho recebido e ficado bem longe do exército.
Pegar a espada é o último ato de um homem desesperado.
A verdade simples sobre esse livro é a seguinte, existem muitos personagens, cada um seguindo a sua própria agenda, então você vai estar desfrutando de diversas frentes. A narrativa não segue um único personagem. A guerra é ampla, os personagens, como disse, são muitos. É claro que não acompanhamos todas essas frentes ao mesmo tempo, depois de estabelecidos os personagens mais atuantes desse volume, a estória entra em um ciclo entre os eventos que estão ocorrendo com esses personagens. Além do Paran, temos ainda os Queimadores de Pontes, Anomander Rake, personagens da cidade Darujhistan, a Conselheira Lorn e seus planos secretos, dentre outros. Alguns personagens que parecem ser muito importantes para livros futuros, e nesse também, aparecem rapidamente e algumas vezes de forma irregular. 
Nunca conceda facilmente o conhecimento que possui. Palavras são como moedas: vale a pena guardá-las.
Então, ao mesmo tempo que os Queimadores estão preparando o terreno para uma futura invasão à Darujhistan, eles também estão tentando descobrir mais sobre um possível plano para matá-los. Enquanto isso ao que parece está ocorrendo uma guerra de assassinos dentro de Darujhistan, tem uma conspiração de Altos Magos para impedir a invasão, um assassino com planos próprios, deuses interferindo, etc etc etc. Tédio é uma coisa que você não irá sentir lendo esse livro. Infelizmente não tem como entrar em detalhes sobre todos os eventos e personagens desse livro, senão eu acabaria escrevendo um outro livro, o que essa resenha gigante já está quase virando.
Paran não sabia mais quem era o maior traidor em tudo aquilo, se é que havia um traidor.
Essa série nos brinda com um universo único. Embora tenha magia, quanto tantos outros livros de fantasia, as nunces são totalmente originais. Assim como toda a história, cultura, raças, etc. Um destaque muito importante é justamente a história do livro, com H. Como ocorre nas obras do Tolkien, esse universo tem milênios de história que vamos conhecendo aos poucos. Temos eventos que ocorreram há milênios atrás que ainda afetam os eventos presentes. E como muitos personagens possuem imortalidade ou ao menos um tempo de vida bem prolongado, esses personagens já participaram de guerras passadas e são citados, por assim dizer, nos livros de história. Dentre os povos que habitam o universo, a maioria dessas raças são originais do livro.
Por toda a vida nós lutamos por controle, por um meio de moldar o mundo à nossa volta, uma caçada eterna e inútil pelo privilégio de sermos capazes de prever a forma de nossas vidas.
A narrativa do livro é totalmente envolvente, te levando página após página, capítulo após capítulo. O fato de sermos lançado já no meio de várias estórias me lembrou do livro A Companhia Negra. Ao se aproximar do final do livro, eu não queria de jeito nenhum abandonar a leitura, quase pedi demissão só para continuar lendo. Por sinal, é uma sorte eu soltar no ponto final do ônibus, porque eu era sugada pela estória e tinha de ser expulsa do ônibus toda vez. Esse autor tem um dom de realmente fazer as páginas ganharem vida. Não tenho dúvidas que esse será o melhor livro que irei ler esse ano, então é óbvio que dei 5 estrelas e favoritei. A edição do livro está linda, a capa é maravilhosa e eu aposto que você está querendo saber quem é o personagem da capa, hehehe. O livro conta com 2 mapas, nas contra-capas tem ilustrações dos personagens, tem ainda um glossário no final e um guia de personagens no início. Eu recomendo a não ler esse guia de personagem antes de acabar a estória, se você for spoiler-fóbico.

Para encerar, eu sem dúvidas eu recomendo esse livro. E digo mais, se você for um fã de fantasia, você deve agora mesmo entrar em uma loja virtual e encomendar o seu exemplar. É realmente leitura obrigatória para todos os fãs do gênero! Mal posso esperar pelo segundo livro… e enquanto isso fica a indagação, por que não fazem um seriado?
Arrependimentos demais, oportunidades… E a cada uma que passa, menos humanos nós todos ficamos, e mais fundo no pesadelo do poder todos nós mergulhamos.

Classificação



Sobre o autor

Steven Erikson é o pseudônimo de Steve Rune Lundin , escritor canadense, que foi educado tanto como arqueólogo como antropólogo.
Sua obra mais conhecida é a série de fantasia de dez volumes O Livro Malazano dos Caídos (Malazan Book of the Fallen), que até 2006 tinha vendido mais de 250.000 cópias no mundo. O site SF e Review Fantasy Books chamou a série de "a melhor série de fantasia dos últimos tempos".









13 comentários:

  1. Oiii Patrícia, tudo bem?
    Fico imensamente contente que tenha gostado da obra que tu leste, em meu caso não sei se leria no momento, estou meio chatinha pra escolha de leituras,mas vou deixar anotada a dica, caso futuramente eu leria, além do mais a sua resenha ficou ótima!
    Beijos linda.

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  2. Olá!
    Pela sinopse a obra não tinha me chamado tanto a atenção. Mas após ler sua resenha, que por sinal está ótima, confesso que fiquei bastante curiosa para conhecer. Principalmente após ler sobre a originalidade da história e a narrativa envolvente do autor.
    Espero ler em breve.
    Beijos.

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  3. Hey, Patrícia!

    Eu estava curiosa a respeito desse livro e até tinha vontade de ler, mas imaginava uma coisa bem diferente... rsrs.
    Agora, depois da sua resenha, mudei de ideia. O enredo não chamou minha atenção, não. Mesmo assim, não posso deixar de dizer que acho essa capa linda!

    Beijos!

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  4. Olá tudo bem
    Nossa este livro parece ser muito massa eu fiquei com muita vontade de ler.
    Sua resenha está muito bem escrita e me fez ficar louca pela livro.

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  5. Oi tudo bem,
    esse livro pareceu ser muito legal, já faz um bom tempo que não faço nenhuma leitura desse gênero, por isso já anotei a dica para uma próxima oportunidade.
    Beijos

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  6. Oii Patrícia!
    De primeiro já começo falando que essa capa me conquistou de primeira vista, achei ela super interessante, eu não conhecia a história parece assim como você falou, bem envolvente, essa obra encheu os meus olhos de uma forma bem legal! adorei o que você escreveu, sua resenha está bem completa. Eu sou uma grande fã de fantasia, adoro adoro, essa dica está anotadíssima!
    Amei
    Abraços;**
    http://FebredeLivro

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  7. Oi
    Eu tive muita vontade de ler esse livro, não solicitei porque nos últimos dois anos, li uma quantidade enorme de fantasia, então, resolvi dá um tempo, mas está em minha lista. Os livros de fantasia da editora raramente deixam a desejar.

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  8. Oi Pat, com tanta coisa que pode acontecer, em meio a tantos personagens poderosos, com certeza o que não se encontra neste enredo é tédio... sem dúvida mais uma fantasia que vale a pena conferir, não só pela linda capa, mas também pela história bem interessante
    Bjs

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  9. Eu estava simplesmente ansiando por uma resenha desse livro, assim que lançou quis saber como era e do que se tratava. E agora, tendo em mente do que se trata, eu só consigo dizer:UAU!
    Que livro incrível e pelo jeito, muito bem criado.
    Sua resenha só me deixou ainda mais curiosa com a obra! Parabéns <3

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  10. Olá! Ainda não conhecia esse livro mas parece ser bem interessante. Tem uma temática diferente, e amei a capa. Muito boa sua resenha. Espero ter a oportunidade de ler também em breve, bjo

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  11. Olá Patricia, sua resenha me ganhou e ao final dela me vi querendo muito ler esse livro, adoro livros de fantasia onde o autor consegue criar seu mundo com maestria como parece ser o caso desse <3 Dica anotada.

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  12. Olá!
    Eu ainda não conhecia a obra, mas fiquei bem interessada na leitura por causa desse universo totalmente original. Deu para ver que a história é muito bem trabalhada e gostosa de acompanhar.
    Beijos.

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  13. Oi, tudo bem?
    Ia ter dificuldade de ler este livro, muito lugar com nome complicado que confunde (pelo que eu percebi na sinopse)
    Estou querendo me aventurar mais em livros de fantasia.
    Amei a sua resenha!
    Beijos, Larissa (laoliphant.com.br)

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Bjão
Equipe Cia do Leitor