terça-feira, 16 de maio de 2017

Resenha: Elric de Melniboné - de Michael Moorcock

Elric de Melniboné 

A Traição Ao Imperador - Livro Um 
Michael Moorcock 
Editora Generale 



Sinopse: A história de 'Elric de Melniboné', o imperador albino e feiticeiro, é uma das grandes criações de fantasia moderna. Um fraco e introspectivo escravo de sua espada, Stormbringer, ele é também um herói cujas aventuras e andanças sangrentas levam-no, inevitavelmente, a intervir na guerra entre as forças da lei e do caos. Um clássico do gênero espada e feitiçaria, Elric de Melniboné é um ícone excepcional da fantasia de violência, poder, política e guerra. 
Neste livro, Elric enfrentará a ameaça ao império de Melniboné e transitará entre o uso da magia e seus princípios morais, que o impedem de tomar algumas decisões. Além disso, sua amada Cymoril encontra-se em perigo, e ele não medirá esforços para salvá-la. 
Pela primeira vez, a editora Generale traz para os leitores brasileiros a tradução dos textos originais da Saga de Elric de Melniboné, sendo este o primeiro livro. 
Resenha 
Livro cedido de cortesia pela Editora Generale para resenha.
Elric é o mais recente imperador do reino Melniboné. Esse reino governou o mundo por 10 mil anos, e perdeu tal poder há 500 anos. Os melniboneanos são uma raça de semi-humanos que apreciam grandemente o próprio prazer, não se importando nem um pouco com os outros, além amarem o poder e prezarem por suas próprias tradições. Seguindo a lógica do prazer próprio, eles realmente gostam e esperam ser governado por um tirano, pois o imperador está acima de todos. Porém, Elric não poderia estar mais longe do ideal deles. 
Esta é uma história de tragédia, a história de Melniboné, a Ilha do Dragão. Uma história de emoções monstruosas e ambições elevadas. Uma história de feitiçarias e traições e ideais dignos, de agonias e prazeres terríveis, de um amor amargo e um ódio doce. É a história de Elric de Melniboné. 
Elric nasceu frágil e desde então tem a sua vida sustentada através de feitiços. Mas, embora a sua saúde não seja muito boa, o seu poder está no extremo oposto. Porém, isso não significa que ele usa esse poder para se impor, infelizmente. Devido a sua saúde, Elric cresceu lendo muitos livros e acabou conhecendo algumas emoções que o seu povo desconhece, como a culpa, por exemplo. Mas quando digo que ele acabou conhecendo, não estou me referindo a ele ter sentido tal emoção, e mais um conhecimento acadêmico mesmo. Ele parece estar mais desinteressado do que preocupado com as monstruosidades que o seu próprio povo possa vir a cometer. E com essa disputa mental entre seguir as tradições ou desenvolver princípios acaba fazendo que filosofe bastante, o que o torna ainda mais esquisito aos olhos de seus súditos. 
Em Melniboné, os imperadores controlam os demônios, e não o contrário. 
Então Elric, sob o ponto de vista das tradições, é realmente uma decepção. E é claro que não poderia deixar de ter alguém que não vê a hora de vê-lo deposto para assumir o posto de imperador. E esse alguém é o seu primo Yyrkoon, irmão de sua amada Cymoril. Yyrkoon considera o seu primo um fraco e uma verdadeira vergonha para um imperador, e não se faz de rogado ao proclamar isso à torto e à direita para quem quiser ouvir. É claro que qualquer imperador já teria matado ele há muito tempo por tais ofensas, mas Elric sendo Elric, acaba sempre relevando a abuso do primo. O que por sua vez só reforça o argumento do mesmo. Até mesmo Cymoril concorda que Elric deveria matar o primo, pois ele é uma ameaça muito grave. Mas o Elric está realmente se empenhando para ter princípios, o que é realmente uma pena… Os melniboneanos são tão fortes que eles controlam dragões! Sério Elric, deixa essa coincidência aí de lado… 
“Por que sua dor deve produzir uma beleza tão admirável?”, ele se pergunta. Ou será que toda beleza é criada através da dor? 
E no meio dessa disputa familiar, por assim dizer, ainda existe um outro pequeno problema. Os chamados Reinos Jovens, que são os reinos que se formaram muito tempo depois de Melniboné e que antigamente eram governados pelos melniboneanos, estão cada vez mais confiantes que podem desafiar e conquistar Melniboné. O seu povo, visto como bárbaros pelos melniboneanos, parecem acreditar que o poder do antigo reino está enfraquecendo e que em breve eles poderão saquear a inestimável riqueza que ele guarda. 
Às vezes é melhor que Lendas continuem sendo Lendas, e as tentativas de torná-las reais raramente sejam bem-vindas.. 
E eles estão certos, de certo modo. Pois o poder de Melniboné está realmente enfraquecendo, mas ainda assim eles são poderosos, ainda mais quando comparados com os outros reinos. E é justamente em uma batalha contra os Reinos Jovens que o destino de Elric começa a mudar, e ele percebe que não poderá mais ser tão inocente e complacente como imperador. Pois ele finalmente percebe como a sua amada Cymoril e todo o seu povo corre perigo e que cabe a ele buscar uma forma de salvá-los. Elric embarca então em uma missão, por razões que não irei revelar, que o levará muito além do seu reino. Mas se ele realmente quiser vencer essa batalha ele deverá se aliar à outros seres e divindades que há muito tempo não iam aos reinos mortais. Ele não poderá ser fraco se quiser ter a mínima chance de vencer e para isso ele acabará buscando por um objeto de histórias antigas, que poderá tanto ser a sua salvação quanto a sua danação. 
(…) o sábio gentil que amava tinha sido transformado pelos elementos em um demônio infernal, em um mostro com apenas uma aparência de humanidade. 
Esse primeiro livro que narra a estória de Elric é bem curtinho, apenas 182 páginas. Com uma leitura bem leve e fluída, o livro pode ser rapidamente devorado. Os personagens são bem desenvolvidos, embora eu tenha ficado com vontade de dar uns socos no Elric para ele largar de ser trouxa. Acho que ele deveria filosofar menos e matar mais, hahaha! Cymoril é uma mulher bem prática e sabe exatamente o tipo de pessoa que o irmão é, então não fica nem um pouco indecisa se o irmão deve ou não morrer. Yyrkoon é um típico vilão desprezível, ou talvez, seja um típico melniboneano. O ritmo da narrativa é bem acelerado, por ser um livro curto não há tempo para enrolação. A estória conta com os requisitos básicos da fantasia, como magia, demônios, elementais, deuses, dragões, etc. E é claro, o mais importante, que é a jornada do herói. Só que esse livro é apenas o principio, literalmente. Elric apenas dá o primeiro passo da sua jornada, que eu acredito que irá ser realmente grandiosa. 
Não é que Elric fosse desumano. Ele era o que era. Um melniboneano, acima de tudo. 
A edição desse livro está lindíssima. O livro tem capa dura e a arte da capa está perfeitamente retratando o protagonista. A arte gráfica dentro do livro também está uma perfeição. Além disso o livro possui páginas amareladas, de um papel bem grosso e resistente, e a fonte em ótimo tamanho. A minha nota para esse primeiro livro foi de 4 estrelas. Ele só não ganhou 5 estrelas devido aquela minha vontade de socar o Elric. E nem adianta racionalizar comigo, para ganhar a quinta estrela ele vai ter de começar a derramar mais sangue, muawhahahaha. 

A estória sem dúvidas é uma grande obra da fantasia que influenciou diversos outros autores. Eu estarei esperando ansiosamente pelo lançamento do segundo livro e fiquei muito interessada em descobrir as outras obras do autor. Se você é fã de literatura fantástica, não tenha dúvidas em relação à esse livro, você realmente deveria desbravá-lo. 
(…) pois é apenas sobre coisas que nos inquietam mais profundamente que nós mentimos de forma clara e com profunda convicção. 

Classificação 



Sobre o autor 

Michael Moorcock nasceu em Londres em 1939 e publicou seu primeiro romance em 1962. De 1964 a 1980, ele editou a revista de fantasia e ficção New Worlds. Escreveu músicas em parceria com a banda Blue Öyster Cult e fez scripts para filmes e jogos interativos de computador. Um de seus romances, Behold the man, venceu o Nebula Award; Gloriana, o Guardian Fiction Prize. E Mother London entrou no top do Whitbread Prize. Suas obras influenciaram grandes autores da literatura mundial: Neil Gaiman, Geroge R. R. Martin, entre outros. 






14 comentários:

  1. Olá Patricia, tudo bem?
    Nossa que a edição está lindíssima você não precisava nem dizer. Fiquei babando nessa capa. A sua resenha está maravilhosa também, parabéns!
    Fiquei bastante intrigada por esse livro. A premissa dele é ótima e a sua empolgação na resenha só me deixou mais certa de que é uma leitura bastante instigante. Quero muito saber mais sobre esse tal objeto e porque ele pode tanto salvar como condenar Elric hehehe
    Dica anotada, espero poder ler em breve.
    Beijos

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  2. Oiii Patrícia tudo bem?
    Infelizmente dessa vez a obra não despertou meu interesse, mas fico feliz que tenha trazido a resenha para nós, normalmente com o passar dos anos acabo me modificando de gosto, por isso irei anotar pois sua resenha ficou bastante convidativa.
    Beijinhos

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  3. hey, confesso q a premissa parece ser otima, mas infelizmente nao me atraiu tanto assim
    a capa eh realmente bonita e melhor ainda ser capa dura ne kkk
    fico feliz que vc tenha curtido a leitura e esta esperando pelo proximo!

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  4. Oi!
    Adoro livros de fantasia com histórias tão fantasticas.
    Pela sua resenha deu pra perceber que essa é uma ótima leitura e que deixa o leitor morrendo de vontade de conferir o segundo livro.

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  5. Oi Patrícia! Não conhecia o livro, mas já fiquei bem interessada. Adoro fantasia, ainda mais com esta pegada de deuses e demônios. Só não vou começar a ler já pois trata-se de uma série, e prefiro esperar um pouco mais os outros volumes. Mas a dica está anotada.
    Bjs, Rose

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  6. Oi, tudo bem? gostei da sua resenha, bem detalhada e sincera sobre o livro. Talvez eu não fizesse essa leitura no momento mas, quando estiver numa vibe mais pra fantasia com certeza lerei. Beijos!

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  7. Oi, Patrícia! Adorei sua resenha, muito bem desenvolvida. Contudo, o livro não me entusiasmou. Quem sabe em um outro momento.

    bjs
    www.livrosdabeta.blogspot.com.br

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  8. Patricia você sempre tão empolgada com os livros de fantasia. Acredito já ter falado por aqui que não sou muito fã do estilo, pelo menos dos autores que seguem a linha de escrita do Joe Abercrombie que foi uma decepção total para mim (li três livros dele e senti como se nunca chegasse no destino esperado).
    Mas enfim outros autores nacionais e internacionais do estilo fantasia me encantam, como Denise Flaibam e C.S. Lewis.
    Mas foi ótimo perceber que você gostou tanto do livro lido, mesmo querendo dar "uns murros" no protagonista, acontece. Beijos

    Leituras, vida e paixões!!!

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  9. Fantasia é um dos gêneros que eu mais gosto e sempre que dá dou uma chance a novos livros desse gênero. Gostei muito da premissa do livro e fiquei bem empolgada para lê-lo.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura | Facebook | Instagram

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  10. Ual, capa dura??? Poucos livros agora são assim né? Uma pena que a história não me atrai, o gênero não me chama a atenção, mas quem sabe um dia não é mesmo?? Adorei, parabéns pelo trabalho.

    Beijos

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  11. Oie tudo bem? Não me interessei muito pelo livro, mas gostei muito da resenha e dos quotes que você separou pra nós.

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  12. Olá,
    A premissa é bem interessante e Elric chama muito minha atenção por causa de suas dúvidas entre continuar as tradições ou criar novos princípios. Com certeza uma difícil escolha. Dei muita risada quando você fala que queria dar uns tapas nele para deixar de ser trouxa! É bom saber que a trama juntamente com seus personagens são bem construídos e que é uma leitura rápida.

    LEITURA DESCONTROLADA

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  13. Não é uma leitura que faz o meu tipo, mas parece ser bastante interessante. Acho que pode ser um livro que eu vou acabar gostando de ler.

    http://laoliphant.com.br/

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  14. Oii
    Eu não conhecia o livro, mas me interessei muito. Estou lendo mais fantasias essa ano e to adorando. Vou anotar esse na lista!
    Bjus

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Bjão
Equipe Cia do Leitor